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sábado, 22 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Darling please adore me



Blue Moon na voz de Billie Holiday

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Andar de van no Rio...



e com o Cristo Redentor sempre à espreita...

sábado, 8 de novembro de 2008

Virei peão!

Da mesma forma que algumas palavras inofensivas em Portugal, como propinas, rapariga, puto, etc., que significam dinheiro sujo, prostituta, prostituto, no Brasil, também trolha tem um significado completamente diferente do atribuído nas terrinhas lusitanas. Quando se querem referir à pila em calão, é este o termo usado. Devido às circunstâncias, seria ridículo auto intitular-me de trolha, apesar de sempre ter tido essa vontade recalcada: afirmar-me trolha à portuguesa, senhora e dona dos piropos mais castiços e propositados, ou não. No Brasil, esses senhores são chamados de peões, e o seu método de persuasão não confia no poder da palavra; limita-se ao banal assobio. Chegam a montar posições estratégicas, como se de um coro se tratasse.
A estagiar há 3 dias na obra da Cidade da Música de Christian de Portzamparc, começo a conhecer de perto toda esta dinâmica dos trabalhadores e as particularidades práticas da construção. Os estudantes no Brasil têm a possibilidade de começar desde logo, nos primeiros anos da faculdade, a estagiar. Estou a trabalhar com 3 escultoras e um pintor. Finalmente, desde que cheguei ao Brasil, penso poder fazer amigos fora de casa. No meio de cerca de 3000 homens, colocaram-me num grupo "maneiríssimo" e felizmente com as únicas mulheres que trabalham na obra. As outras ficam a maioria do tempo nos ateliers.
O meu trabalho consiste em fazer levantamento de medidas, ir ajudando o grupo dos artistas plásticos no que toca às pinturas, e na altura dos acabamentos e da pintura final, acompanhar e conferir se as cores correspondem ao que tinha ficado acordado.
Tem-se corrido bastante, até porque a obra tem de estar pronta até Dezembro, supostamente. As fotos elucidam o estado atrasado da construção, numa fase em que os esforços se repartem entre betão, estucamentos, pinturas,..., tudo em simultâneo.... Mas como já disse, com apenas 3 dias de experiência, é impossível saber a velocidade que a obra pode atingir.
Ontem conheci o mestre Portzamparc. Tem andado pela obra, especialmente preocupado que as cores fiquem fiéis ao que propôs.
Ah!!!E por pouco não apareceria nas Mega-Construções no Discovery Channel. O mestre de obras, enquanto lá andava com a equipa do programa nas filmagens, disse-me que não era permitido andar de "blusinha" na obra e que por isso não os tinha deixado filmarem-me. Continuei a tirar as medidas e ao mudar de divisão, ele veio logo ter comigo, "Ah! Mas escusa de sair. Não estava falando sério! Pode ficar!" Quem sabe?! LOL

Foto: Alex Sandro

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Curta Cinema 2008 - Rio



Está a decorrer, entre os dias 30 de Outubro e 9 de Novembro, o 17º Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro. Ao todo serão exibidas 323 curtas-metragens de todas as partes do mundo. Desenrola-se entre Competição Internacional, Competição Nacional, Panorama Carioca, Foco Japão etc.



Casa de Máquinas - Maria Leite, Daniel Herthel, 5 min, Brasil, MG, 2007


Dreznica - Anna Azevedo, 15 min, Brasil, RJ, 2008
O lugar onde a neve encontra o mar. Os dias são repletos de estrelas e as noites cobertas pelo sol. Somente ao não ver é que conseguimos percebê-la. Construído com arquivos caseiros de Super 8 dos anos 1970. Uma lírica jornada por meio de imagens e sensações reveladas pela memória e pelos sonhos daqueles que não vêem.


Apesar de não ter assistido à última no próprio festival, procurei no youtube algumas outras curtas presentes na programação do evento. Esta despertou-me particularmente, ao introduzir uma nova questão que vai ao encontro do tema que mais tenho problematizado ultimamente.
A curta que apareceu na pesquisa terá sido feita por alguém que assistia à original (apesar de achar que isso não é permitido =P) e, através dela e do próprio tema sugerido pelo título (Enquadrando), recorreu a esse movimento da câmara em torno do mundo das imagens do outro, enquanto produtos do real manipulado pela sua visão, procurando afirmar o seu próprio conceito de realidade?! Poderá ser um enquadramento a partir de outro enquadramento?! De que realidade se pode falar, neste sentido? Se nem a fotografia casta, que representa selecção de tema, de centralidade e limites, e com suas cores adulteradas, reproduz o real palpável?!... Aquela outra nova dimensão multiplica identidades da imagem, sobrepõem-nas e amarra-as entre si. A segunda supera a primeira, ao cortar o todo que esta tela abrange, e assim aconteceria sucessivamente se se tratasse de mais intervenções. Neste sentido, o suposto espectador passivo, simultaneamente desconstrói e atribui uma nova plenitude à imagem. Na curta em questão, para além do voyeur filtrar a realidade do outro, que está presente apesar de alterada, ainda revela a sua própria percepção da realidade sem anteriores intermediários, ao direccionar e centrar o olhar da sua camâra directamente sobre o tema(s) que selecciona do que o envolve.
Será esta a curta em si mesma? Será toda ela o produto original, pretendendo alargar exactamente esse questionamento e, motivar múltiplas linguagens num mesmo ecrã?
Independentemente da verdade que gerou toda esta curta, a fotografia tem realidade própria. Jamais poderá ter o pretensiosismo de ser o que diz reproduzir. Essa realidade enquanto tema, ao qual a imagem pensa ser fiel, não é mais do que pretexto para se estabelecer a hierarquia entre o que se vê, quando se vê e como se vê, e o que é e existe, realmente. Só quando pretende sublinhar essa consciência deliberadamente, é que a imagem consegue ser genuína e livre.

A curta original, seja ela qual for: =P
Bildfenster/Fensterbilder (Enquadrando) - Bert Gottschalk, Alemanha 2007
No youtube:
Título: Homage
Descrição: Okviri / Bildfenster Fensterbilder, author: Bert Gottschalk Fantastična odiseja doktora Zodiaka, author: Matija Pisačić kino Europa, Animafest Zagreb 2008

Notícias de uma Guerra Particular


"Notícias de uma Guerra Particular" é um documentário brasileiro de 1999, produzido pelo cineasta João Moreira Salles. Eleito um dos melhores filmes brasileiros contemporâneos pela Revista de Cinema e vencedor da competição nacional de documentário do festival É Tudo Verdade, "Notícias de uma Guerra Particular" é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro. Flagrantes do quotidiano das favelas dominadas pelo tráfego de drogas alternam-se e entrevistas com todos os envolvidos no conflito entre traficantes e policiais - incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. A realidade da violência é apresentada sem meios-tons e da forma mais abrangente possível, tornando patente o absurdo de uma guerra sem fim e sem vencedores possíveis.

domingo, 2 de novembro de 2008

Romboyada

Namaste Club

O tempo é interminavelmente sufocante no "banheiro" feminino. Vira o disco e toca o mesmo. Estava com esperanças de lá voltar no fim da noite para filmar a mesma fauna, mas a festa tinha outros planos. =) Teria sido no mínimo caricato ver estas meninas com a posse alterada, o rímel borrado e a vomitarem baton...mas em frente ao espelho; claro!

Lá fora a história é outra. Recorro ao meu espelho de sempre: a música. O único capaz de me reflectir de forma fiel... E quem melhor que Marc Romboy para me lembrar disso?! A noite voou. Também eu voei. E dancei como há muito não dançava e esqueci com quem estava e onde estava e que o tempo passava. Estive com quem quis estar e em todas as histórias de seres genuínos e únicos e em todos os lugares e em todos os tempos, num não lugar onde o tempo não é mensurável, num quadro sem limites, sem formas, sem contornos, onde barreiras entre memória/presente/fantasia se esbatem. Descobri que mantenho a sanidade mental psicótica do costume =P

Foto: Joana

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"Ora Molas"





Reflexo de um auto-retrato. Felipe Benicá


Reflexo Urbano. Felipe Benicá




quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Rio Scenarium

Rio Scenarium concentra-se numa edificação típica da arquitectura imperial portuguesa, com tímida e estreita fachada principal, embora com nova escala no seu interior, inesperadamente colossal.
Catalogado como restaurante/bar/casa de espectáculos, ao explorar diversos estatutos e relações entre objectos e a fulcral simbiose entre decoração e arquitectura, esta “casa” incalculavelmente rica e compacta, mais se aproxima a uma complexa cidade. Aliás cidade não, cidades, várias cidades e realidades.
O Rio Scenarium fixa num mesmo tema específico e generalizado: “a casa”, imensas leituras e interpretações distintas da mesma verdade e simultaneamente infinitas verdades nomeadas em lugares comuns e eventos enraizados e mais que adquiridos.
Ao associar o invólucro da “casa”, em si mesmo, ao corpo-imagem, e o miolo à gene, experiência e memória, interpreto os patamares dessa "casa" como sucessão dos diferentes níveis da mente, evocando a construção do sujeito através da assimilação, sistematização e recriação dessa matéria viva e consequentemente a progressiva consciência do seu próprio “eu”. Como resultado nascerá a afirmação do “ser” perante a sociedade, o reconhecimento do seu lugar no mundo, e sua posterior libertação para exercícios místicos; todos estes passos materializados no expoente máximo de sua individualidade – a casa – cuja forma é moldada à sua semelhança.
Músicas, relíquias, artesanatos, parafernálias, peças de arte, histórias, lendas, parecem ter saído de baús de pessoas de todo o mundo, convivendo em simultâneo e numa sucessão de espaços circulares, hierarquizados na sequência ascendente dos diferentes pisos da “casa”; cada testemunho distinto e com seu carisma próprio, contudo.
A massiva informação, os intermináveis jogos de palavras sugeridos, silêncios retóricos e imagens ambíguas, induzem uma primeira leitura do espaço presa aos microcosmos dessa massa única indivíduo-casa-sociedade-cidade. Aparentemente estes grupos dialogam desordenada e aleatoriamente entre si, mas depois de um olhar mais atento, o espaço resulta numa obra única e brilhante, devido à intencional cumplicidade despretensiosa e descomprometida que se gera entre assinaturas, grifes, burocracias, valores e marcas do tempo.
A desconstrução do espaço é assim subtilmente feita através da associação de barreiras ocultas, subentendidas a partir de fragmentos do homem como ser caótico. A sua (de)composição clarifica as dimensões social/racional/sensorial/espiritual/criativa.
O Rio Scenarium tem demasiados intervenientes omnipresentes para ser identidade pura, consiste em demasiados depoimentos e estéticas para ser uma só casa, gera intimidade demais para ser cidade.