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terça-feira, 10 de março de 2009

Sputnik













"A percepção não passa da soma dos nossos mal-entendidos"
Haruki Murakami

"O espírito demite-se do seu espaco e solta-se agora, no fim desta longa caminhada, da sua imaterialidade ou materialidade do corpo e carapaça do "eu", reconhecendo que nao cabe mais em si. A alienaçäo provocada pela vontade de chegar às estrelas ou a todo um universo desconhecido, dá lugar a uma retórica imensa que deixa de se questionar; a alma toca, incorpora e é o que a rodeia aqui e agora."

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

in Limbo














Desde a queda do muro que o ar gélido faz com que todos os sentidos e sentimentos percam a noção de espaço e tempo. Sinto-me num coma dissimulante, com correntes de ar que fazem com que cada pensamento tenha um eco demasiado prolongado. De certeza que é devido ao muro. Só pode. Tenho a sensação de já antes ter experimentado esta insustentável leveza, de já ter estado neste limbo cor ocre onde qualquer gesto ganha contornos de padrão, e assim como as palavras, também eles se propagam sem qualquer tipo de impedimento.

Sinto então, a razão para tal inquietação! A presença de um vírus. Vírus de garras afiadas prontas a deixar marca de arranhão! È melhor ter cuidado! Numa terra onde a metáfora reina, é difícil - até para alguém de ideias sólidas - conseguir apregoar as palavras desejadas.

O mais certo é eu acabar contaminado! Protejo-me na conformidade da melancolia, mas rapidamente sinto a vulnerabilidade ao abraçar a genuinidade deste vírus. O convite do inesperado e a beleza da queda, fazem-me soltar as amarras do medo e abraçar esta nova condição.

E assim mergulho. Da imposta negação à desejada vertigem - completamente livre - deixando o medo de ser o espectador amorfo deste jocoso cortejo!

Terei de redefinir a concha como porto de abrigo, como a camada ténue aonde as segundas intenções são atiradas para segundo plano, e as primeiras intenções congeladas num movimento perpétuo de contemplação. Concha de aconchego onde ridículos dilemas são transformados em esperançosos sonhos. Sem padrão!

Berro mas nada sai…toco, e tudo sinto!

Limbo de chegada, limbo de partida!

Avisa-me quando lá chegarmos!

Espero que o tempo tenha a paciência e a ciência para se aguentar só. E só, esperar!

Ficarei neste limbo - sem muro - ficando com o bafo quente da esperança e o prurido do optimismo como dote.

À noite, o pano cai, e tudo se revela cru! Os dilemas eclipsam os sonhos…

O muro jamais será edificado da mesma forma - os segredos foram revelados e os guardas subornados! De resto, resta-me a minha única certeza…que de restos, nada restará!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Partir para ficar


















Mãe, eu quero ficar sozinho.
Mãe, não quero pensar mais.
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem sequer ter que
me ir embora.
Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim.
Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre
entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo,
de quê mãe?
Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver
razão para tanto sofrimento.
E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos
partir, para regressar?
Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte ás
arrecuas que me deste.
Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os
olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra,
mar, mãe...
Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar
nota a nota o canto das sereias... Lembrar cada
lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir
aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para
ficar...

José Mário Branco



Linda Martini
Partir para ficar

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Nothing else to say...

Autoria: Lagartão do eu

domingo, 16 de novembro de 2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Metamorfose Ambulante

"Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião

Formada sobre tudo

(...)

Eu quero dizer

Agora o oposto

Do que eu disse antes

(...)

Sobre o que é o amor

Sobre o que eu

Nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela

Amanhã já se apagou

Se hoje eu te odeio

Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor

Lhe tenho horror

Lhe faço amor

Eu sou um actor...



É chato chegar

A um objectivo num instante

Eu quero viver"



Raul Seixas