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segunda-feira, 23 de março de 2009

I don't belong here

















Creando micro mundos surreais preenchidos de cor, o artista russo Dmitry Maximov mistura ilustração e fotografia para criar obras que pulsam personalidade e fantasia.
Tendo a maioria das veses como tema a solidão de surreais criaturas simpáticas que interagem completamente com o cenário que as rodeia, o estilo de Dmitry Maximov transporta-nos para um mundo repleto de poesia!















quinta-feira, 12 de março de 2009

O Quereres




Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o acto, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

Caetano Veloso e Chico Buarque


sábado, 10 de janeiro de 2009

Until your heart stops

“Somos todos casas vazias à espera de alguém que nos abra a porta e nos liberte. Um dia o meu sonho torna-se realidade. Um homem aparece como um fantasma e tira-me desta conformidade. E eu acompanho-o, sem dúvidas, sem reservas, até que finalmente encontro o meu destino."

Kim Ki-Duk a propósito da personagem feminina Sun-Hwa em "3-Iron".


A mummy, 1977 Micha Bar-Am



A parasite that lost its appetite

With what he calls his own

Being yours to clean for.

Walk with a weapon and fight just to see

What draws the line

Between the now and yesterday.


Scenes from the past

Being premonitions all too real

We dwell like antique paintings older every day,

Until a thief steals you from the wall

In the shadows of creative eclipses.

I've noticed your handwriting improve

Over the years,

Though sometimes I can still smell shit in the ink.


I can't clean this stain of a little boy,

And sadly I am trapped in here for good.

Locked my door and read these cryptic pieces

A hundred-thousand times more.

For every sundown that crutches the awake,

Simmering the need of peace and lightly

seasoning

Our bodies back to bed.


Aimless is the mind on porcelain pillows.

And we dwell like antique paintings,

Older every day.

Cave in

A fortune teller's chart, 2003 Chien-Chi Chang

domingo, 4 de janeiro de 2009

Alone we stand.someday. Together we fall apart.sometimes

The Collective Invention. René Magritte


Porto! Que és senão abrigo?! Não és chão, não és parede, não és tecto. És apenas cobertor. Mas de que serves afinal se nem nas noites quentes aqueces?
Palavra única que veste toda uma canção; nunca te conheci....Essa cidade tão segura de si, habitada exclusivamente por sombras.
És noctívaga, sim; suponho que camuflada entre a euforia das luzes que te testam e encobrem o que realmente tem significado. Valor.
Começas a ganhar cheiro! Serás ainda e terás tanto de fantasma como outrora? Porque emerges, colossal, numa névoa com sabor a brisa salgada.

*

Viseu seca, mas nem por isso menos querida. Maior a dúvida e maior a certeza. Certeza de querer voltar?! Não. Não. Não.
Saborear cada momento da volta.....Do frio que aquece.
A cada volta cobre-se para a sua peça.
As gentes?! Essas são as mesmas, apesar do olho crítico revelar a cada regresso um sentido mais apurado de cada papel mal ensaiado.
Cheiro a terra no ar ainda húmido....Doce casa...Minha casa....Sempre lar! Cheguei!

05/10/05

sábado, 27 de dezembro de 2008

"Os sonhos trabalham" Porjinito

"The Shell" Vladimir Kush

"a imagem do sonho é oscilante, imprecisa, inconstante, vaga, como fragmentos de memória ou ideias hesitantes. Uma imagem mutante, que se esquiva de si mesma, na qual os olhos fechados vêem apenas o próprio interior, como um corpo achatado por força centrífuga contra as paredes húmidas de um globo giratório, no qual não há limites para surpresas e desapontamentos, sobressaltos e, às vezes, prazeres. Aquele que vê e aquele que é visto: ambos na mesma bolha. Juntos, na mesma metamorfose sem fim".
Jean-Claude Carrière