terça-feira, 14 de julho de 2009
Titus Andronicus
"Even now I curse the day, and yet, I think,
Few come within the compass of my curse,
Where in I did not some notorious ill:
As kill a man, or else devise his death;
Ravish a maid, or plot the way to do it;
Accuse some innocent, and forswear myself;
Set deadly enmity between two friends;
Make poor men's cattle break their necks;
Set fire on barns and hay-stacks in the night,
And bid the owners quench them with their tears,
Oft have I digged up dead men from their graves,
And set them upright at their dear friends doors,
Even when their sorrows almost were forgot;
And on their skins, as on the bark of trees,
Have with my knife carved in Roman letters,
Let not your sorrow die, though I am dead.
Tut! I have done a thousand dreadful things
As willingly as one would kill a fly,
And nothing grieves me heartily indeed
But that I cannot do ten thousand more."
William Shakespeare, Titus Andronicus
sexta-feira, 10 de julho de 2009
O Estrangeiro

Titus Andronicus
Albert Camus
Running around this run-down, one-horse town.
One of these days, they're gonna crucify me.
How weary, stale, flat and unprofitable it is to be young, dumb,
and have lots of money.
We will sit upon this grassy knoll,
holding hands and stroking handguns, with pristine souls,
and even my own mother will tell you I am an asshole,
but underneath it all, there is an apathetic heart of gold.
So who will be saved, from the least to the greatest men?
Because even Honest Abe sold poison milk to schoolchildren.
The blood drive came to Glen Rock High
in a white bus with red letters on the side
and a long shiny needle they brought to suck me dry
like missionary mosquitoes in the sky.
Now you're doing time for stealing candy from a babe
because all the kids in Ridgewood have got cell phones these days
and if you wear a mask, they can still read your license plate
and a wireless line is a terrible thing to waste.
Because the more we think, the less it all makes sense,
tonight we will drink to our general indifference.
Lamb of God, we think nothing of ourselves at all.
So, Death, be not proud because we don't give a fuck about nothing
and we only want what we are not allowed.
"And I, too, felt ready to start life all over again. It was as if that great rush of anger had washed me clean, emptied me of hope, and, gazing up at the dark sky spangled with its signs and stars, for the first time, the first, I laid my heart open to the benign indifference of the universe. To feel it so like myself, indeed, so brotherly, made me realize that I’d been happy, and that I was happy still. For all to be accomplished, for me to feel less lonely, all that remained to hope was that on the day of my execution there should be a huge crowd of spectators and that they should greet me with howls of execration."
O Estrangeiro, Albert Camus
segunda-feira, 22 de junho de 2009
"O barco bêbedo"
Como eu descia pelos rios impassíveis,
senti-me libertar de meus rebocadores.
Tomaram-nos por alvo os índios irascíveis
e pregaram-nos nus aos postes multicores.
Já não me preocupava a carga que eu trazia,
fosse o trigo flamengo ou o algodão inglês.
Quando dos homens se acabou a gritaria,
pelos rios voguei, liberto de uma vez.
Ante o irado ranger das marés, me lancei,
mais surdo que infantis cabeças, no outro inverno,
fugindo! E para trás penínsulas deixei
que jamais viram tão glorioso desgoverno.
A procela abençoou meu despertar marinho,
dancei como cortiça entre vagas e atóis,
que fazem vítimas no eterno redemoinho,
dez noites, sem pensar no olho vão dos faróis.
Doce como a maçã na boca de um menino,
meu lenho se encharcou do verde turbilhão,
que um caos de vómito e de vinho purpurino
lavou, e destroçou meu leme e meu arpão.
E mergulhei então no Poema do Mar,
todo de astros mesclado, e leitoso, a beber
os azuis verdes, onde, a flutuar e a sonhar
um absorto afogado às vezes vai descer;
onde, a tingir de um golpe o azul, à luz safira
dos dias, ritmos arrastados e delírios,
mais fortes que a embriaguez e mais vastos que a lira,
fermentarão do amor os amargos martírios.
Sei os céus a estalar de clarões, sei as trombas,
correntes e monções: e sei o anoitecer,
a exultante manhã qual um povo de pombas,
e vi por vezes o que o homem julgou ver.
Vi o sol-pôr manchado a místicos horrores,
iluminando longas urnas arroxeadas;
como dos mais antigos dramas os actores,
as ondas a rolar à distância, encrespadas.
Sonhei a noite verde entre neves radiosas
dar aos olhos do mar mil beijos hesitantes;
vi a circulação de seivas misteriosas
e o áureo-azul despertar dos fósforos cantantes.
Longos meses segui, tal como vacarias
histéricas, o ardor das ondas contra a areia;
sem suspeitar que os pés brilhantes das Marias
pudesse apaziguar o Oceano que se alteia.
Atingi, sabei vós, Flóridas escondidas,
os olhos da pantera ajuntando às floradas,
com pele humana. E tenso o arco-íris, como bridas,
no horizonte do mar, quais alegres manadas.
Vi fermentar pauis enormes e lameiros,
onde apodrece um Leviatã entre os juncais;
e entre bonanças desabar furiosos aguaceiros,
despencando o longínquo em golfos abismais!
Gelos, argênteos sóis, ondas, céus abrasantes!
Encalhes colossais nos mais fundos negrumes,
onde o piolho come as serpentes gigantes
que tombam da galhada entre negros perfumes.
Desejara mostrar às crianças as douradas
da onda azul, peixes de ouro, esses peixes cantantes
– a espuma toda em flor ninou minhas jornadas
e um inefável vento alou-me por instantes.
Das zonas e do pólo, às vezes, mártir exausto,
o mar, cujo soluço as fugas me adoçava,
dava-me flores de ouro e de sombrio fausto,
e eu, como uma mulher de joelhos, descansava.
Quase ilha, a balançar gritando às minhas bordas
rixas e estrumes de aves de olhos afogueados;
eu ia, enquanto pelas minhas ténues cordas
desciam, recuando, ao sono os afogados.
Eu, barco naufragado entre as marinhas tranças
pelos tufões aos ermos do éter arrojado,
cujo casco ébrio de água os veleiros das Hansas
e os Monitores não teriam resgatado;
livre, a fumar, envolto em brumas violetas,
que perfurava o céu vermelho como um muro,
que traz – confeitos deliciosos aos bons poetas –
liquens do sol e cusparadas do azul-escuro;
prancha louca, a correr entre uma escolta preta
de hipocampos, rajada a estrias resplendentes,
quando Julho esboroava a golpes de marreta
do céu ultramarino os funis comburentes;
eu, que tremia, ouvindo a distante agonia
do cio dos Behemots e dos Maelstroms estreitos,
eterno tecelão da azul monotonia,
lamento a Europa dos antigos parapeitos!
Arquipélagos vi do firmamento! e as ilhas
onde em delírio os céus se abrem ao viajor,
é nessas noites que tu dormes e te exilas,
ó milhão de aves de ouro, ó futuro Vigor? –
Mas, não, chorei demais! Magoam-me as auroras.
Todo sol é dolente e amargo todo luar.
O acre amor me fartou de torpores, demoras.
Oh, que meu casco estale! Oh, que eu me lance ao mar!
Se desejo da Europa uma água, é a poça estreita,
negra e fria, onde à luz de uma tarde violeta
um menino agachado, entre tristezas, deita
seu barquinho, a oscilar como uma borboleta.
Imerso em languidez, não posso transcender
o rastro, ó vagas, dos que levam algodões,
nem dos pendões o orgulho e das velas vencer,
nem já nadar sob o olho horrível dos pontões.
sábado, 11 de abril de 2009
Dar um norte à seta
.
Ela não pergunta: "Teu nome?"
Encontram-se, na verdade, para serem um para o outro, uma nova estirpe.
Darão um ao outro cem nomes novos, e tornarão a tirá-los todos, um do outro, de leve, como se tira um brinco de uma orelha."
A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke, Rainer Maria Rilke
quinta-feira, 12 de março de 2009
O Quereres
Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o acto, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
Caetano Veloso e Chico Buarque
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Partir para ficar

Mãe, eu quero ficar sozinho.
Mãe, não quero pensar mais.
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem sequer ter que
me ir embora.
Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim.
Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre
entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo,
de quê mãe?
Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver
razão para tanto sofrimento.
E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos
partir, para regressar?
Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte ás
arrecuas que me deste.
Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os
olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra,
mar, mãe...
Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar
nota a nota o canto das sereias... Lembrar cada
lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir
aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para
ficar...
José Mário Branco
Linda Martini
Partir para ficar
sábado, 17 de janeiro de 2009
Quase...
Fotografia: Fonte desconhecidaAinda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planeando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luis Verissimosexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Venha o donut com molho de francesinha!
Fotografia: Alex Webb"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
sábado, 10 de janeiro de 2009
"Ideas are bulletproof" *
Josef Koudelka at Aperture Gallery in New York, 2007 Maurice Escargot* V for Vendetta
Vicky.Cristina.Barcelona
Jonas Bendiksen
"O amor quer o monopólio das faculdades da alma" Friedrich Schiller
"Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser. "
"Apenas é digno da vida aquele que todos os dias parte para ela em combate."
"Não basta dar os passos que nos devem levar um dia ao objectivo, cada passo deve ser ele próprio um objectivo em si mesmo, ao mesmo tempo que nos leva para diante. " Goethe
"... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida." Clarice Lispector
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Da política da bicharada ao "sim" sagrado
Há muitas coisas que parecem pesadas para o espírito, para o espírito forte e paciente habitado pelo respeito: a sua força exige um peso, o maior peso.
'Que são essas coisas pesadas?', pergunta o espírito forte. Dizei-o, heróis, para que eu o tome sobre mim e a minha força se alegre.
Não será porventura isto: humilhar-se para fazer sofrer seu orgulho? Deixar brilhar a sua loucura para escarnecer da sua sabedoria?
Ou então isto: abandonar a própria causa quando se celebra a vitória? Subir às altas montanhas a fim de tentar o tentador?
Ou ainda isto: alimentar-se das bolotas e da erva do conhecimento, e obrigar a alma a passar fome pelo amor da verdade?
Ou isto: estar enfermo e despedir os que consolam, e juntar-se com os surdos que nunca ouvem o que queres?
Ou isto: descer até à água lodosa, se for a água da verdade, não afastando nem as rãs frias, nem os sapos escaldantes?
Ou isto: amar os que nos desprezam e estender a mão ao fantasma no preciso momento em que ele nos quer meter medo?
Mas no mais solitário deserto realiza-se a segunda metamorfose: agora o espírito transforma-se em leão, quer conquistar pela força a sua liberdade e ser senhor no seu próprio deserto.
Procura aqui o seu último senhor: quer ser o inimigo do seu senhor e o inimigo do seu último Deus; quer medir forças com o grande dragão e conquistar a vitória.
Qual é o grande dragão que o espírito já não quer chamar nem senhor, nem Deus? 'Tu deves', é o nome do grande dragão. Mas o espírito do leão diz: 'Eu quero.'
'Tu deves' impede-lhe o caminho, resplandecente de ouro, é um animal de escamas; e em cada escama brilha em letras de ouro: 'Tu deves.'
Valores milenários brilham nestas escamas, e o mais poderoso de todos os dragões fala deste modo:
'Brilha em mim, o valor de todas as coisas. Todo o valor já foi criado...e todo o valor criado encontra-se em mim. Na verdade, não haverá mais 'eu quero'.
Meus irmãos, porque será necessário o leão no espírito? Não bastará o animal de carga, pronto para a renúncia e para o respeito?
Criar valores novos - mesmo o leão não está apto: mas tornar-se livre para uma nova criação - eis o que pode fazer a força do leão.
Ganhar o direito de criar valores novos é a conquista terrível para um espírito paciente e respeitador. Na verdade, esse espírito decerto vê nisso um roubo e uma atitude de ave de rapina.
Outrora amava o 'Tu deves' como o mais sagrado dos bens e agora é nesse mesmo bem que deve encontrar a loucura e arbitrariedade, a fim de conquistar depois de um rude combate o direito de se libertar deste laço; para exercer semelhante violência, é preciso ser leão.
Dizei-me, porém, irmãos, que poderá fazer a criança, de que o próprio leão tenha sido incapaz? Porque terá ainda o feroz leão de se transformar em criança?
A criança é inocência e esquecimento, um recomeçar, um jogo, uma roda que gira por si própria, um primeiro movimento, uma afirmação santa.
Sim ao jogo da criação, irmãos, é preciso ser uma santa afirmação; então o espírito quer agora a sua própria vontade; tendo perdido o mundo, conquista o seu próprio mundo.
Disse-vos as três metamorfoses do espírito: como o espírito se transformou em camelo, o camelo em leão, e finalmente, o leão em criança."
Assim falava Zaratustra, e morava nesse tempo na cidade que se chama Vaca Malhada.»
sábado, 27 de dezembro de 2008
"Os sonhos trabalham" Porjinito
"The Shell" Vladimir Kushterça-feira, 23 de dezembro de 2008
Me and you and everyone we know
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Deito-me no "ventre mole daquela hora"
Fotografia: David Infante
BESRevelação 2008 em Serralves
